Enquanto te espero,
de mundos vazios
em sons abissais
em cacofonias
se entre-atordoam
se chocam, ecoam
mil vozes banais.
Enquanto não chegas, 
das ruas o estrondo
qual um louco gongo
em ondas de dor
me ofusca o ouvir
me embaça o sentir.
Enquanto não vens,
o ócio presente
o tédio crescente
distorcem segundos
aloucam ponteiros
confundem meus mundos.
Enquanto eu insisto,
rostos alcoviteiros
olhos zombeteiros
sem muitos rodeios
plantam devaneios
adubam canteiros
de idéias malsãs.
E quando desisto
se chegas lampeiro
é tarde, meu bem,
me fui com alguém.
neurotóxicos
... e chuvas esparsas



