Enquanto te espero,
de mundos vazios
em sons abissais
em cacofonias
se entre-atordoam
se chocam, ecoam
mil vozes banais.
Enquanto não chegas, 
das ruas o estrondo
qual um louco gongo
em ondas de dor
me ofusca o ouvir
me embaça o sentir.
Enquanto não vens,
o ócio presente
o tédio crescente
distorcem segundos
aloucam ponteiros
confundem meus mundos.
Enquanto eu insisto,
rostos alcoviteiros
olhos zombeteiros
sem muitos rodeios
plantam devaneios
adubam canteiros
de idéias malsãs.
E quando desisto
se chegas lampeiro
é tarde, meu bem,
me fui com alguém.
neurotóxicos
... e chuvas esparsas




7 Comments:
adorei! e não adianta ele chegar lampeiro... a hora já passou! e ele perdeu - ou perderá - tudo!
beijos,
anamiga
Que delícia de "dispensa", Celina!
Ainda bem que foi tecida em malha poética, o que, convenhamos, deve tratar-se de alguém muito especial.
A cada novo texto teu, cada novo poema que leio de ti, saio mais enriquecido.
Obrigado.
Um beijo afetuoso.
Poema-história bem urdido, como tudo o que você escreve, cara Celina. Fica aí a dica para os que esperam e o alerta para os que são esperados.
beijos procê.
Celina, o ritmo é maravilhoso, além desses versos de cara limpa, sem rodeios.
Gostei demais, como sempre.
beijos e boa semana para você.
P.S. Irei colocar seu link no meu bloguinho de poemas, o Falares.
Obrigada pela visita ao Sensível desafio. Adorei seu blog. Continue sentindo, Celina. Um beijo
Ainda que tardiamente (mea culpa, mea maxima culpa), linkei (ai! pobre Língua Portuguesa!) o Neurotóxicos lá no Kayuá. E viva a poesia! Sobretudo essa daqui do blog.
Beijo.
De mansinho chia o Chiado de tão zangado.
Sentado o Poeta tece letras de dizer.
E o ruido de fundo não dá para escutar o desalinho de meus passos prestes a chegar.
Grato pela passagem em meu Blog.
Um abraço deste lado do mar.
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