neurotóxicos

... e chuvas esparsas

Nos jardins são plantadas estátuas e flores.
Flores crescem, sorriem, fenecem.
Estátuas emudecem,
se esquecem,
permanecem.

Da cabeça a vida escorre
em rios de quase dor,
em cores que se confundem,
memórias de agora sem forma lá fora.

Insônia no deserto povoado de concreto.
Ouço no silêncio o galope do atropelo.
De medo me pelo, perdi freio e rédeas,
Flutuo no caos, me perco no todo.

03.set.05 Brasília

Arranco
no tranco
o suspiro
do tronco.
Não vejam poesia:
não sonho,
só ronco.

03.set.05 Brasília

Palavras não têm cheiro.
Só algumas.
Como algemas.
No celeiro.

03.set.05 Brasília

Tristeza, inda que mansa, é sempre funda.

Movediça, sorvedouro.

No país das maravilhas a menina cai no poço.

No meu torpor não caio, me esvaio, flutuo.