A mão incômoda da angústia passeia pelo pescoço. Apalpa o estomago, acaricia como só ela sabe o coração. Incômoda e persistente, trava a garganta e corta o ar. Manda uma parceira visitar o cérebro e plantar o caos. Jardineira dedicada e criativa, a confusão semeia pulgas e minhocas, pulveriza neurotóxicos que encharcam membranas e mucosas, já que está lá dentro estende névoas sobre a retina e desliga os fios da lucidez. Pobre lucidez que ainda pensa em reagir, mas descobre ser qualquer tentativa luta inglória; no fundo do túnel espreita o fracasso. Impossível lutar contra mãos carinhosas, ainda que por competência e treino: a entrega se faz inevitável quando o abandono pousa delicadamente nos ombros e destila fluidos paralisantes em músculos e membros.
neurotóxicos
... e chuvas esparsas



