neurotóxicos

... e chuvas esparsas

A mão incômoda da angústia passeia pelo pescoço.

Apalpa o estomago, acaricia como só ela sabe o coração.

Incômoda e persistente, trava a garganta e corta o ar.

Manda uma parceira visitar o cérebro e plantar o caos.

Jardineira dedicada e criativa,

a confusão semeia pulgas e minhocas,

pulveriza neurotóxicos que encharcam membranas e mucosas,

já que está lá dentro estende névoas sobre a retina e desliga os fios da lucidez.

Pobre lucidez que ainda pensa em reagir, mas descobre ser qualquer tentativa luta inglória;

no fundo do túnel espreita o fracasso.

Impossível lutar contra mãos carinhosas, ainda que por competência e treino:

a entrega se faz inevitável quando o abandono pousa delicadamente nos ombros

e destila fluidos paralisantes em músculos e membros.